Incêndios fazem já títulos e aberturas de jornais
“Moradores viveram noite de aflição por causa do fogo.”in jn
“Governo prevê ano de incêndios muito difícil.” in publico.pt
“Portugal está preparado para os incêndios, embora admitindo que o ano se adivinha difícil.” in sicnoticias
Títulos de jornais e telejornais que têm feito parte do alinhamento noticioso da comunicação social nos dois últimos dias, mas também (e por vezes de forma sensacionalista), nestes dois últimos anos naquilo a que se chama já de época de incêndios.
O actual secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, Paulo Pereira Coelho, afirmou ontem que “Portugal tem meios humanos e materiais mais que suficientes para poder enfrentar a ameaça dos incêndios florestais” in sic.noticias, o que nos poderia levar a pensar que este ano durante o dita época de incêndios não seremos bombardeados com as aberturas de noticias já habituais, quando vemos uma contradição neste membro do governo e não só aqui, dizendo que “o que falta é “formação específica” e mais meios aéreos que permitiriam enfrentar melhor as ameaças ao longo de todo o ano” in publico.pt.
Num ano em que as condições climatéricas têm sido anormais face ao habitual, muitos são os que já afirmam que será difícil o combate aos incêndios este ano. Mas se analisarmos o que tem sido feito em termos de prevenção de incêndios nestes dois últimos anos, verifica-se que o resultado é residual, então onde estão os tão famosos planos florestais? Para quando e como irão funcionar os gabinetes florestais? De que forma é que se responsabilizam os proprietários na limpeza das matas? Onde se tem construído os acessos às matas? Onde estão os perímetros de segurança aos aglomerados?
Isto é só uma parte da questão, penso que urge a protecção naquilo que ainda é o recurso mais abundante no país, como por vezes afirma a Arq.ª Teresa Andresen, pena que nem sempre com a vegetação autóctone, pois alguma dela serve de protecção aos incêndios.
Importa por isso que se pense a sério na prevenção dos espaços ecológicos e que as áreas de Reserva Ecológica Nacional (REN), sejam de uma vez ordenadas e que se diga quais as actividades aí permitidas, em vez de se restringir tudo e depois abrirem as excepções. Os proprietários devem ser responsabilizados e terem uma quota-parte na limpeza das matas e preservação dos caminhos sim, não podem esperar só pelos lucros fáceis. Outras situações são aquelas em que se sabe, sim porque sabe-se quais as áreas mais propícias a incêndios e o porquê, por isso deve-se também limitar a desafectação das áreas ardidas evitando que estas possam passar a áreas urbanas, mais uma vez e em altura de revisões de PDM’s vale a pena pensar nisso. Infelizmente mais uma vez prevalece o lucro fácil sobre o bem comum, sei que as áreas desafectadas tem outro valor, mas e o valor ecológico? E o património comum para as próximas gerações?
O outro lado da questão, é o facto de nas áreas ardidas pouco se tem visto de reflorestação, então e aquele cêntimo por litro de combustível tem ido para onde? (eu já enchi muitas vezes o deposito desde então.) Este é um processo que deve ser feito rapidamente, não só para um equilíbrio da fauna e flora, mas também pelo equilíbrio da qualidade dos solos (que de si já são pobres) e retenções da água, (sobre esta falarei mais tarde).
Se queremos continuar a dizer que somos um jardim à beira-mar plantado temos de mudar muitas coisas entre as quais o interesse particular sobre o comum.
Dacostt
isto e uma merda